sexta-feira, 7 de março de 2008

O JASMIM NO FRASCO

Duas semanas antes de morrer,
meu avô soprou dentro do frasco transparente.
Frasco com 15x10 cm, na estante da oficina,
vedado a tampo de borracha.

Depois que ficou sob a pedra tumular,
meu avô restou apenas naquele frasco.
Fui ao Cemitério Municipal,
rondei sete sepulturas, benzi pedras e gatos.

Nada.
O velho Wilhelm não estava em nenhum lugar.
Nada.

Com a barca invisível da solitude, retornei à casa.
Pelas ribanceiras jasmins ondulavam.
Um deles cortei do caule, depois o esqueci no frasco.

Um comentário:

Rubens da Cunha disse...

Karl
obrigado pela visita à minha casa de paragens. A admiração é totalmente recíproca.

abraços
Rubens