quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Anônimo, 1965



Um pequeno sopro o que somos: duramos o que dura uma chuva nas venezianas: vemos a barca molhada de mar: almoçamos peixe ou carne: sorvemos do copo de vidro a água cristalina: só temos incertezas em nosso coração que já parou de bater há mil anos. Assim, se estamos mortos para sempre nesse paraíso bacana, e como não temos nada o que fazer, aproveitaremos os minutos para regar com doçura o pequeno sopro que somos, o que em nós dura uma chuva nas venezianas e respiraremos, mesmo sem nariz, o vento perfumado deste amor que nunca mais vai morrer.

3 comentários:

Giórgia da Gama disse...

Gostei bastante do seu blog.
Parabéns.

Rubens da Cunha disse...

gosto desse teu lado "filósofo" :)

Andréia Carvalho disse...

volto a respirar aqui. depois de muita ventania. teus bons ventos que me guiem.
grande abraço.