Ruth Orkin, 1905
Em lugar de olhos,
dois nuncas. A noite é palavra unida à noite essencial. Um diamante
iça, em lugar da morte, e da cisterna sombria acordo alado: sem amada,
capinzal, mãe, pedra ou labirinto. Em lugar de respirar,
a música me vela. A eternidade é o silêncio das tigelas de arroz. Em
lugar de estar vivo eu sou um canto, enlouquecido por discordar do
roteiro. É desconcertante morrer sem acariciar o pomo
dourado da própria voz, e a lenda da pele, que acende com o toque dos
dedos. É sempre absurdo não ter direito a um nome, a um quintal com
pequenos pássaros intensos. Os erros são todos meus. A luz é toda tua. Quando eu não existir mais, eu também virei recolher os domingos que não passei à beira-mar.
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